(Este texto é acompanhado, no final, de um ensaio fotográfico.)
“People, are unwilling to be at the mercy of a fading flower.”
– Margaret Mead
Uma verdadeira (mais do que linda) frase da antropóloga Margaret Mead citada num artigo de 1964 do NY Times: “As pessoas não estão dispostas a ficar à mercê de uma flor que murcha.”
Mas as flores murcham. A vida requer cuidado e atenção. Requer tempo e dedicação…
É interessante observar que muitos de nós preferimos dedicar o tempo (todo o tempo, se possível) àquilo que não murcha. Á criação do falso, do artifício.
Não há nada que julgar! É assim mesmo.
Talvez tenha sido a nossa cobardia e o medo da própria morte que nos tenha catapultado nesta direção. Chegámos ao ponto em que julgamos o falso, — a imitação, o faz de conta, — como melhor que o verdadeiro.
E é. Até certo ponto, é.
O falso não murcha, não muda, é controlável e previsível… o artifício satisfaz-nos e não nos frustra. É verdade que não vive, mas para quê essa chatice do viver, se ele assim também não morre?! Ele deslumbra por recordar-nos como somos geniais. Como conseguimos tão bem imitar o que ‘Deus’ faz. E, falta de um prazer mais real, como a namorar um espelho que redobra a nossa beleza, nós fazemo-nos festas, acariciamo-nos e congratulamo-nos. Deliciamo-nos como podemos, numa espécie de orgia narcísica, rodeados de espelhos que nos dizem o que queremos ouvir. — “Espelho meu, espelho meu, ….”
As nossas belas flores artificiais transmitem um ‘savoir-faire exquis‘ (“Ninguém diria que não são naturais!”); os nossos filmes provêem-nos de emoções artificiais que começam no início e cessam no final. As nossas ‘selfies’ representam o que queríamos ser, em locais, como queríamos que eles fossem. As fotos de férias não são mais recordações de momentos únicos, vivos e especiais. São agora retratos de outros retratos de outros retratos. Cópias, e cópias de outras cópias..
Assim vão as coisas…
E foi assim que, por cobardia e desdém, perdemos a própria vida num caleidoscópio, num mundo plástico e artificial.
Quem é que estaria disposto a encontrar-se de novo à mercê de uma flor que murcha?!
(Todas as fotos que se seguem foram tiradas no cemitério do Alto de S. João em Lisboa a 25 de Dezembro de 2018.)
Fica aqui a ligação a uma pequena curiosidade histórica para quem tiver interesse:
“The Flowering Of Fake Flowers”, The New York Times, 23/08/1964.

















