Passando em frente a uma loja de produtos de "beleza", vejo um "belo" arco de balões coloridos, de certo ali para atrair os visitantes à loja. Que vende esta loja? Quem é que eles esperam que, transbordando de felicidade, atravesse aquele pórtico? Com que propósito?

A Beleza está onde sempre esteve.
Nos corpos de múltiplas formas.
Nas peles de texturas e cores diferentes.

A Beleza é o próprio calor do corpo, essa energia magnética,
— que une, que apazigua.

A Beleza está na secreção de uma gama infinita de odores indefiníveis por palavras,
— uns que atraem, outros que repelem.

A Beleza emana de dentro para fora porque a sua fonte é a essência.
É aquilo que faz parte integrante dos corpos e dos seres.

 

Que industria é esta então?!
Que precisa de expor poluentes balões coloridos,
num esforço em forma de pórtico e em modo farsa??
Uma emblemática entrada para o mundo do artifício e da traição.

 

Esta não é a indústria da Beleza! É precisamente o seu contrário.
É a indústria que nos vende a crença da nossa Fealdade,
— de nos apresentarmos com ‘irregularidades desagradáveis nas feições e no aspeto’;
de cheirarmos naturalmente mal, ou pelo menos, nada de especial;
de não possuir encanto ou Poder.

 

Ela vende-nos a crença de termos de nos cobrir de cremes de cores que imitam outras peles,
De termos de nos esconder, de combater as rugas, as manchas e as cicatrizes.
Sobretudo não aceitar o tempo, sobretudo COMPRAR(!!) e esconder a nossa feia banalidade,
Sobretudo não se cair no erro de acreditar, que até se é belo, só porque….(desculpem a expressão!)
….“Deus escreve (sempre) direito (mesmo se) por linhas tortas”

 

Esta é uma indústria que age como alguém que abusa de nós.
Desvaloriza-nos subtilmente, aparentemente elogiando-nos, dizendo-nos que até somos bonitos,
mas…
(…e é esse “mas” que estraga tudo!)
“Mas” podias ser mais bonita, se usasses este creme,
se escondesses essa ruga, esse buraco, essa cicatriz…
se pintasses o cabelo de loiro, se tivesses pestanas mais longas,
se fosses mais nova, mais magra, mais como…, mais isto, mais aquilo…
Através de um premeditado abuso emocional, Ela desvaloriza-nos,
Faz-nos sentir mais fracos e mais feios para logo de seguida
Se propor Salvar-nos do nosso mal.

 

Sim, esta é a (uma das) indústria(s) que nos rouba o Poder
só para nos vender uma reles imitação sem valor.

 

Lembram-se da história d’O Rei vai Nu?
Não é diferente, e somos nós, as vítimas, — esse Rei vaidoso enganado e Nu.

 

Esta é a industria, não da Beleza, mas da Cegueira.
O que ela produz e comercializa é a Cegueira. A Cegueira de todos os sentidos.

 

Mas a Beleza é precisamente aquilo que se sente com os sentidos,
É, fundamentalmente, relativo ao presente e ao sujeito sensível,
e é inerente à essência do objeto sentido.

É o Poder que ‘EU’ sinto emanar de alguém ou alguma coisa.
Não o “poder” manipulador, farsola, carnavalesco que se compra,
mas aquele Poder capaz de Mudança e Criação.

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